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Soldier Cocaine's thoughts.

Flor-Cadaver's Journal

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All My Window Pains
December. December 22, 2011, 07:07:pm
"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."

Miguel Esteves Cardoso, in Último Volume
Music: "Like knives" City and Colour
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Things you learn while living. April 27, 2011, 10:40:pm
«Eis algumas das coisas que aprendi na vida:
Que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isto.
Que levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la.
Que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam.
Que as circunstâncias e o ambiente têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Que ou você controla seus atos, ou eles o controlarão.
Aprendi que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Que paciência requer muita prática.
Que existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar isso.
Que algumas vezes a pessoa que você pensa que vai lhe dar o golpe mortal quando você cai, é uma das poucas que lhe ajudam a levantar-se.
Que só porque uma pessoa não o ama como você quer, não significa que ela não o ame com tudo o que pode.
Que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens: seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém. Na maioria das vezes você tem que perdoar a si mesmo.
Que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido; “o mundo não pára, esperando que você o conserte".»
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: | April 27, 2011, 10:34:pm
"Às vezes mais vale desistir do que insistir , esquecer do que querer , arrumar do que cultivar , anular do que desejar . No ar ficará para sempre a dúvida se fizemos bem , mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito , (...) . Às vezes é preciso mudar o que parece não ter solução , deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero , bater com a porta e apanhar o último comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás , abrir a janela e jogar tudo borda fora , queimar cartas e fotografias , esquecer a voz e o cheiro , as mãos e a cor da pele , apagar a memória sem medo de a perder para sempre , esquecer tudo , cada momento , cada minuto , cada passo e cada palavra , cada promessa e cada desilusão , atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar a chave fora , ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre e que a seguir esqueça o segredo . Às vezes é preciso saber renunciar , não aceitar , não cooperar , não ouvir nem contemporizar , não pedir nem dar , não aceitar sem participar , sair pela porta da frente sem a fechar , pedir silêncio e paz e sossego , sem dor , sem tristeza e sem medo de partir . E partir para outro mundo , para outro lugar , mesmo quando o que mais queremos é ficar , permanecer , construir , investir , amar . Porque quem parte é quem sabe para onde vai , quem escolhe o seu caminho e mesmo que não haja caminho porque o caminho se faz a andar , o sol , o vento , o céu e o cheiro do mar são os nossos guias , a única companhia , a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira . Quem fica , fica a ver , a pensar , a meditar , a lembrar . Até se conformar e um dia então esquecer ."


By Margarida Rebelo Pinto
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Crash. April 17, 2011, 05:42:pm
O vazio é absurdamente vasto. E o frio não me deixa em paz. Esta dor de pensar mói-me os sentidos. Lembrar-me de quem nunca foi meu, das ilusões que perdi, no amor (em) que deixei de acreditar. "Isto dói", como tanta gente já escreveu. E nada do que faça ameniza a dor. Nada do que diga, do que escreva, do que sinta nos momentos lúcidos, em que me deixo embalar pela raiva provocada pelas mentiras, e pela humilhação a que fui votada, nada ajuda. Nada disso muda. Ninguém compreende, não há ombros amigos para consolo desta dor. As palavras d'outrem são sempre as mesmas:

"Isso passa com o tempo"
"Ele não é boa peça, nunca prestou"
"Estás melhor sozinha"



E por mais que pense que eles é que têm razão,a saudade não me larga. Tantas saudades dele. E ele, que jamais se lembrará de mim. Nevermore.
Mood: Sad.
Music: "Crash" Sum 41
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